Comércio informal, identidade e direito: o caso das zungueiras de Luanda

Autores

  • Vera Santana Luz Pontifícia Universidade Católica de Campinas
  • Áurea Bianca Vasconcelos André Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Palavras-chave:

Zungueiras, Comércio informal, Luanda, Angola, Espaço público

Resumo

Zungueiras é o nome dado a mulheres vendedoras ambulantes do mercado informal angolano, que percorrem quilômetros buscando comercializar seus diversos produtos tais como: alimentos, acessórios e vestimentas. A palavra zungueira deriva do termo zunga, da língua nacional angolana kimbundu, que significa circular, andar à volta, girar. Trata-se de um linguajar utilizado pela população de Luanda para caracterizar os vendedores informais, particularmente os vendedores ambulantes. Esta prática de venda em movimento é produto de mudanças sociais, políticas e econômicas do país, infelizmente marginalizada pelos órgãos públicos. Muitas vezes os fiscais policiais as perseguem usando a força e a violência para expulsarem-nas de áreas de circulação, acabando em alguns casos em mortes destas mulheres. A partir de metodologia de investigação bibliográfica e documental, tem-se como objetivo analisar aspectos do comércio informal das zungueiras em Luanda, perante a postura do Estado, o direito à cidade destas mulheres e a identidade cultural que carregam, cujos resultados apontam para a necessidade de fortalecimento de relações horizontais menos hierarquizadas ou condicionadas pelos imperativos do capital hegemônico, o que é desdobrável a situações análogas no Sul Global. A apresentação deste estudo de caso, entendido no contexto de Sul Global, se dá pela sua compreensão como uma referência de menção válida. A dinâmica urbana de sobrevivência, com raízes socioculturais ancestrais e permeada de contradições entre precariedade e direitos, revela saberes locais e resistência aos desígnios de alinhamento hegemônico a padrões de globalização conduzidos pelo Estado.

Biografia do Autor

Vera Santana Luz, Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo e é Doutora em Arquitetura e Urbanismo. É professora e pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, onde orienta pesquisas sobre os temas arquitetura, urbanismo, meio ambiente, sustentabilidade e soluções baseadas na natureza, e territórios com fragilidades socioespaciais e ambientais.

Áurea Bianca Vasconcelos André, Pontifícia Universidade Católica de Campinas

É arquiteta e urbanista e pesquisadora do grupo EUCA - Estudos Urbanos Arquitetura, Cultura e Arquitetura, do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Tem como temas de pesquisa: direito à cidade, arquitetura vernacular africana e comércio informal.

Publicado

2021-12-21